segunda-feira, 28 de maio de 2012
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sábado, 17 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Diagnóstico da mídia paraibana
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Areia: uma casa de arte
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Funjope seleciona 268 propostas para próxima edição do Circuito das Praças
Reflexão sobre arte e cultura

Pedro Santos
Especial para A União
O clima aprazível e a simpatia da serra brejeira, onde está localizada Areia, compõem o cenário que recebe de 14 a 18 de setembro o 12º Festival de Artes de Areia. Se o charme natural da cidade é uma generosidade a parte, a riqueza da arquitetura colonial completa a acolhedora paisagem.
Em 2011 o Festival completa 35 anos e traz na memória a importância de ter sido palco de grandes debates sobre política, cultura e arte. Desde 1976 passaram por ele grandes nomes como Ferreira Gullar, João Ubaldo Ribeiro, Ziraldo, Jorge Amado, Raul Córdula e Dias Gomes.

No decorrer da história o Festival de Artes de Areia enfrentou alguns percalços. Em 1982, período de crise do regime militar, foi interrompido por se caracterizar como importante espaço de aglutinação política de correntes progressistas. Posteriormente, com o declínio do regime autoritário e a ascensão do Estado democrático, o festival sofreu com a descontinuidade, sendo retomado apenas 1998. O resultado da ausência de linearidade reflete hoje na discrepância entre a sua idade e o número de edições.
O desafio de reativar o Festival e alçá-lo novamente ao cenário cultural do Nordeste está a cargo da recém-criada Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Para garantir uma programação artística que represente a produção cultural da Paraíba, a jovem equipe da Secult se debruçou no trabalho de pesquisa e produção. Além do campo artístico, há também um olhar especial lançado aos debates promovidos pelo festival, com a participação de teóricos, artistas e intelectuais paraibanos.
O secretário da Cultura, Chico César, explica que a intenção de compor uma programação inteiramente paraibana é justificada no desejo de reconhecer a produção local. “O Festival volta-se para o umbigo do Estado não com o objetivo de fechar-se em si, mas de efetivamente conhecer-se, oportunizando mostrar o que é que a Paraíba tem”. Para ele, durante os cinco dias o público será convidado a debater as interfaces da cultura paraibana, o conceito de ‘paraibanidade’ e a busca pela afirmação da auto-estima do povo da Paraíba.
Ao todo estão programadas 70 atividades ligadas às áreas de música, dança, audiovisual, teatro, circo, literatura, artes plásticas e arte popular. Para garantir o acesso dos moradores de Areia aos espaços do festival e possibilitar aos visitantes a oportunidade de conhecer a cidade, a produção distribuiu as atividades em dez espaços espalhados pelo município.
Com a descentralização dos espaços o participante poderá, por exemplo, participar pela manhã da oficina de Clown, com o ator Luis Carlos Vasconcelos, no circo montado na cidade; durante a tarde acompanhar um debate com a atriz Mayana Neiva, no Colégio Santa Rita; e a noite conferir a apresentação do Quinteto da Paraíba, na Igreja do Rosário. Dentro da programação estão previstas as participações de Cátia de França, Zé Ramalho, Caiana dos Crioulos, Ariano Suassuna, Reisado de Zabelê, Jessier Quirino, Grupo Bigorna, Fernanda Cabral, Companhia Lunay, Genival Lacerda, Tribo Ethnos e Palhaço Chuchu.
Além compor uma programação exclusivamente paraibana, este ano o Festival de Artes de Areia presta homenagem a sete artistas da Paraíba. A decisão do Governo pretende reverenciar os artistas que contribuem com o desenvolvimento da cultura paraibana em diferentes áreas. Serão homenageados o escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, na literatura; o palhaço Major Palito, no circo; o bailarino e coreógrafo José Enoch, na dança; o cantor e compositor Genival Lacerda, na música; o ator e diretor Fernando Teixeira, no teatro; o artista plástico Hermano José, nas artes plásticas; e a cineasta Vânia Perazzo, no cinema.
A realização do Festival de Artes de Areia segue as políticas adotadas pela Secult que visam descentralizar as ações governamentais e democratizar o acesso às artes e aos bens culturais da Paraíba. A programação completa do Festival será lançada no início de setembro, período em que também está previsto o lançado o site do evento.
Matéria publicada no jornal A União, em 21 de agosto de 2011.
Veja em: http://issuu.com/auniao/docs/jornal_em_pdf_21-08-11/17
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Não esmoreçam, camaradas!
(Editorial da revista chilena Punto Final, traduzido pelo blog A Lógica das Coisas) A proposta entregue pelo ministro da Educação, Felipe Bulnes Serrano, aos estudantes universitários e secundaristas e ao Conselho de Professores gerou frustração e indignação. Esperava-se muito mais. Esperava-se um documento que estivesse à altura da magnitude e complexidade do problema e que tivesse o cuidado de tratá-lo a fundo, para iniciar a verdadeira revolução que precisa o engessado e antidemocrático sistema educacional chileno.
Mas não foi assim. O governo se quer tentou se situar além dos seus compromissos ideológicos e dos interesses econômicos que representa para assumir o papel de controle da Nação e a visão de futuro que clama a maioria do país que apóia o movimento estudantil. Preferiu deixar as coisas como estavam antes da mudança de governo e agora está atolado até o pescoço no pântano que a cada dia se encontra mais denso com a incorporação de vários movimentos aderindo ao protesto liderado pelos estudantes.
Perdendo a oportunidade de enfrentar de uma vez por todas um problema que se transformou em insolúvel tanto para os governos progressistas como de direita, o ministro Bulnes preferiu propor esboços de soluções em alguns temas e ignorar outros que são substanciais nas demandas dos estudantes. Como de costume, se tentar levantar falsas expectativas recorrendo aos princípios constitucionais que, pela longa experiência, permanecerão apenas no papel. Enquanto isso, vão se esquivando das exigências específicas dos jovens universitários e secundaristas
As mobilizações de estudantes e professores – que têm atraído o apoio de milhões de cidadãos – estão alcançando o ápice da tensão. Foi anunciada uma paralisação nacional para o dia 9 de agosto, que sem dúvida terá o apoio de uma multidão (como de fato teve).
Em vez de compreender e ecoar o protesto nacional por uma educação pública e gratuita, a intenção do governo tenta desgastar o movimento estudantil para deter a crescente revolta social desencadeada pela luta estudantil. A proposta do ministro da Educação trata de “emborraachar la perdiz” (quando há a intenção de confundir ou ludibriar), adotando um jogo politiqueiro para derrotar os estudantes na mesa de negociações e promover os conflitos nas ruas.
Pautas como eliminar o lucro na educação e federalizar os colégios em contraponto ao monopólio da educação pública caíram em ouvidos surdos. Também foi ignorada a utilização da reforma tributária e a estatização do cobre como fontes de financiamento para uma política educacional que inicie uma transformação igualitária em benefício, sobretudo, dos setores mais pobres.
A proposta do governo sequer pontuou estes temas. Até mesmos os grandes empresários – num evidente oportunismo – declararam estarem dispostos a considerar uma reforma tributária dado o objetivo maior que se busca. Os quatro bilhões de dólares que o governo destinou a educação chilena em seis anos (aproximadamente 650 milhões por ano) são insuficientes para um sistema que abarca da educação pré-escolar a formação superior, incluindo a educação técnica que se encontra em estado terminal. Embora reconheça a necessidade de um financiamento adicional ao montante citado, o ministro Bulnes alegou que o governo não pode acessar o financiamento, pondo em risco metas prioritárias na educação, moradia e combate a pobreza. O argumento é ludibrioso. Exatamente porque existem outras urgências, é necessária uma reforma tributária com tributação efetiva sobre os rendimentos das multinacionais exploradoras de cobra para atender necessidades vitais como educação, extrema pobreza, saúde e moradia, particularmente nas zonas afetadas pelo terremoto.
O governo busca saídas usando medidas de contensão aos protestos estudantis e lançando promessas e declarações de intenções que remetem ao esquema imposto pela ditadura militar que converteu a educação em um “bem de consumo”, como bem afirmou o presidente da República num “deslize de sinceridade”.
A resposta do governo aos estudantes está repleta de declarações sem nenhuma relevância. O que tem de relevante, por exemplo, elevar ao patamar de “norma constitucional” o direito a uma educação de qualidade respaldada pelo Estado? Tem algum efeito o fato da educação figurar como obrigação preferencial do Estado nos incisos 10 e 11 do artigo 19º da Constituição importa por Pinochet? Da mesma forma, de que serve afirmar que a educação não tem fins lucrativos se na prática não funciona?
Vários mecanismos que agora se propõem (Subsecretaria de Educação Superior e Superintendência) pretendem fiscalizar os agentes privados que participam do sistema educacional. Trata-se de uma fiscalização no mínimo perigosa, por que quem fiscalizará os fiscalizadores?
Na verdade o objetivo dos donos dos colégios é o lucro e por isso lhes interessa pagar menos possível aos professores e gastar o mínimo como os alunos para se apropriar do resto da subvenção repassada pelo Estado. Não há garantias de que estas práticas detestáveis deixem de acontecer, muito menos que a redução dos juros do crédito concedido pelo Estado aos estudantes – que cairia de 7% para 4% - vai resolver o fardo das famílias, que seguirão fazendo milagres para custear uma educação medíocre ou simplesmente ruim, considerada uma das mais caras do mundo.
A proposta do governo aos estudantes, em síntese, só busca ganhar tempo, desmobilizar as pressões das mobilizações de rua e isolar os estudantes; ou, eventualmente, abrir negociações que se prolongariam indefinidamente.
A proposta foi avaliada por estudantes e professores. As decisões que eles tomarem com autonomia devem ser respeitas. A independência dos movimentos sociais se encontra ameaçada por setores políticos desprestigiados, “especialistas em pescar em rio revolto”. Sob os estudantes e professores recai a responsabilidade que se utilizem do movimento para fins menores, alheios aos seus interesses e aspirações. Essa responsabilidade deve ser assumida sem as interferências nem tutelas de possíveis oportunistas partidários. As exigências dos jovens estudantes, que conseguiram acumular uma grande força vigorosa e pacífica, criativa e dotada de um profundo discernimento acerca da necessidade de um futuro democrático para nação, devem ser atendidas pelo governo. A magnitude alcançada pela revolta popular – e em particular estudantil – merece soluções transversais e históricas, sem remendos nem politicagem como as oferecidas pelo Palácio de La Moneda e o parlamento.
Da luta dos estudantes – fazendo uso de seus direitos como cidadãos – provém à possibilidade de abrir espaços para as reivindicações democráticas que o povo anseia há anos. Os jovens – que se imaginava não estar “nem aí” – estão dando uma lição de civismo. A revolta social contra a desigualdade e injustiça estava latente no âmago da sociedade chilena e agora se manifesta diariamente de forma pacífica e valente.
Esse sentimento que diz basta a injustiça se aglutina em torno do movimento estudantil e sua defesa por uma educação pública. É notável o temor que a revolta social provoca nos senhores deste país, em seus meios de comunicação, em seus parlamentares, em seus ministros... Há muitos anos as classes dominantes do Chile e seus privilégios não eram postos em xeque e seu poder contestado por tantos setores populares. Esse feito foi conseguido pelos estudantes. O resto do país os agradece e apóia.
Não esmoreçam, camaradas!
Revista Punto Final
Editorial de “Punto Final”, edición Nº 739, 5 de agosto, 2011
Versão original: http://www.puntofinal.cl/739/editorial739.php
quarta-feira, 20 de abril de 2011
SOBRE A FALSA POLÊMICA DO ‘FORRÓ DE PLÁSTICO’
Para organizar a pasta recém-criada, Ricardo convidou o cantor e compositor Chico César, de Catolé do Rocha, com o qual já havia trabalhado na gestão cultural da Capital. A missão do primeiro secretário da Cultura estava dada: implantar na Paraíba uma política cultural de valorização das tradições populares, o diálogo com as referências da identidade do povo, a reativação dos festivais de arte, a interação com os fóruns representativos e o apoio ao processo criativo dos artistas da terra.
Segundo o governo, as iniciativas buscam – enquanto políticas públicas – difundir e apoiar as expressões artísticas características da Paraíba que não integram o mercado e a indústria cultural, e por conta disso são raramente pautadas pelos meios de comunicação ou inseridas nas programações das rádios comerciais do Estado.
Pela proximidade do período junino Chico César foi indagado por jornalistas sobre o apoio do governo estadual aos festejos municipais e respondeu enfaticamente ao dizer que, de acordo com a política cultural do governo, os municípios serão apoiados desde que apresentem melhorias no Índice de Desenvolvimento Humano, criem seus Sistemas Municipais de Cultura e integrem em suas programações os artistas e manifestações da cultura tradicional.
Cobrar contrapartidas dos municípios demonstra a idéia do governo em evitar o apoio de forma paternalista e assistencialista, superfaturando cachês e priorizando determinadas atrações em detrimento da possibilidade de contratação de dezenas de outros artistas da Paraíba
Ainda durante a mesma entrevista o secretário ressaltou que o Estado não pretende pagar os altos cachês de bandas e grupos que integram o mercado e a indústria cultural instalada no Nordeste, que tem como carro chefe o forró eletrônico. Na visão de Chico, estas manifestações não necessitam de apoio estatal para difundir seu trabalho, já que integram 95% da programação das rádios paraibanas e têm um mercado consolidado na região.
A partir da declaração, parte da imprensa paraibana repercutiu apenas um fragmento da fala, colocando o secretário na posição de que não apoiaria tais grupos. A negligência na divulgação da fala na íntegra gerou uma falsa polêmica que durante alguns dias pautou jornais, rádios, televisões e portais, que acusaram o Secretário de discriminar determinados estilos musicais.
O fato gerou inquietação do público desse segmento musical que suscitou a possibilidade de esvaziamento dos grandes eventos juninos da Paraíba, a exemplo do “Maior São João do Mundo”, em Campina Grande. Por isso, é preciso esclarecer que a programação dos festejos juninos de Campina Grande não depende dos recursos do Governo Estadual, portanto a decisão do governo não impedirá a contratação de tais grupos. Ao contrário do que se tenta imputar, cabe ao município – e não ao Estado – arcar com as despesas na contratação de bandas e artistas.
Para esclarecer e pôr fim ao intenso debate, o secretário publicou em nota que a intenção do Governo não é menosprezar artistas e estilos consagrados pela grande mídia, mas propor a ascensão da cultura tradicional, esmagada e dilacerada por um mercado sedento pelo lucro e sem comprometimento social.
Observado esse contexto prejudicial às manifestações da cultura tradicional, coube ao Estado o papel de propor políticas públicas no sentido de valorizar a rica cultura popular paraibana enquanto referência da identidade da população, necessária para a edificação de uma sociedade rica em valores, tradições e arte.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Aquilo que é justo
Há alguns milênios Platão narrou o diálogo entre Sócrates e Protarco, e transcreveu para a história da humanidade alguns rabiscos que se por ventura fossem postos em prática, seriam capazes de modelar sociedades justas e igualitárias.Em Fileto incidi o conceito de que são as idéias, e não os prazeres, o bem maior do homem, além do senso de justiça (“aquilo que é suficiente”) e a sabedoria. O prazer, segundo Sócrates, deve ocupar o quarto lugar na hierarquia dos bens maiores.
Mas os séculos passaram e Maquiavel apareceu para fortalecer as sociedades européias, contrastando e deixando nítidas as diferenças entre o clero, a monarquia e a plebe, em seus ensaios sobre a constituição e a manutenção do poder. Nesse caso, a justiça era a ordem do rei e a sabedoria um bem castrado pela subserviência.
E aí a contemporaneidade chega com suas revoluções e guerras mundiais, polarizando, partidarizando e readequando a sociedade mundial em um novo ciclo da humanidade. O capitalismo convenceu mais de 90% do planeta a travar uma cruzada em busca de lucro e poder, e implantou o ideário consumista, as bolsas de valores e o livre comércio.
Contúdo, há momentos em que o sistema se afoga dentro da própria ambição. O aumento tarifário atrevidamente desproporcional a média dos últimos anos, somado a exclusão proposital das vozes divergentes no processo de votação do reajuste da tarifa, foram atitudes que extrapolaram os limites tolerados por uma população até então subserviente.
O muro que abrigava de um lado o lucro inescrupuloso do oligopólio do transporte público, e do outro uma população subserviente e apática, tende a não passar de uma linha tênue nos próximos dias. Assim espero.
A luta é por direitos.
Queremos o que é justo.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Militância cultural na Paraíba
Na década de 1960, o ponto forte da cultura paraibana foi o cinema novo. Os filmes Aruanda, Romeiros da Guia, Menino de Engenho, entre outras obras, representaram a produtividade cultural da Paraíba no cenário nacional. Fortalecia-se também a militância cultural, representada por figuras de diversos segmentos artísticos, a exemplo do maestro Pedro Santos e o documentarista Vladimir Carvalho, ambos à época membros do Partido Comunista Brasileiro.

Neste período a militância cultural estava transversa ao cenário político, e foi na produção artística que muita gente pôde manifestar suas opiniões e ideologias, fazendo da arte a porta de escape para a censura e a impossibilidade de expressão divergente da ordem estabelecida.
O cerco a liberdade de produção criativa decretado na década de 1970 foi refletido no fortalecimento da cultura enquanto espaço de militância pró-democracia e anti-alienação. Foi com essa proposta que nasceu o grupo Jaguaribe Carne, com a fome de externar sentimentos e experimentar possibilidades através do que denominaram “guerrilha cultural”, uma cruzada formada por artistas paraibanos e pernambucanos em prol da cultura da Paraíba e contra o analfabetismo cultural.
O grupo se tornaria referência de militância cultural em todo o Brasil, reunindo ainda hoje música, artes plásticas e literatura num projeto de mobilização artístico-popular. Desse movimento surgiram expressões artísticas como Pedro Osmar, Paulo Ró, Chico César, Escurinho, Zé Ramalho, Lenine, Elba Ramalho, o fotógrafo Gustavo Moura, e outros que também beberam da mesma fonte.
No início da década de 1980 o movimento cultural em João Pessoa estava fortalecido pela prática militante e cotidiana de quem o compunha. Entre artistas plásticos, escritores, poetas e atores, destacaram-se os músicos do Jaguaribe Carne, que propuseram a criação do Musiclube da Paraíba. O espécime de associação musical se tornaria a referência daquela década, por onde passariam artistas conhecidos da cena atual, a exemplo de Milton Dornellas, Glaucia Lima, Kennedy Costa e Adeildo Vieira, que durante uma entrevista falou sobre o Musiclube:
“O Musiclube foi muito importante para a minha formação estética e política. Este movimento ensinou que o artista deve ter consciência de que, quando está no palco, existem o público de um lado e os bastidores de outro. De um lado está a representação do mercado, que é a vinda do público para ver o seu trabalho. E, por trás, aquilo que sustenta você como estrutura. O relacionamento com essas duas situações deixa muita gente perdida, transforma muitos em marionete. Enquanto uns se perdem, outros vão, mas sem saber voltar. Para você entrar de uma maneira consistente no mercado, nas luzes do palco e nos abajures dos bastidores, tem que ter consciência do seu papel. Isso evita que a pessoa vire um bonequinho, que muitas vezes as pessoas viram” . (Entrevista ao Jornal Zona Azul, em 2005, disponível em http://zonasulnatal.blogspot.com/2005/05/entrevista-adeildo-vieira.html)
Com a reconfiguração política e social do país, na Paraíba a década de 1990 foi marcada por novos protagonistas culturais. Um novo público, para novas formas e estilos artísticos. Embora ainda com feitios advindos das décadas anteriores, a produção artística se desenlaça do aspecto “militante” e dá início a um processo de ebulição de bandas, músicos e artistas que formariam uma nova cena cultural.
Uns mais ligados em apenas tirar um som, outros buscando reaver as tradições da cultura paraibana, o certo é que foram os jovens de então os responsáveis pela nova cara da música da Paraíba, menos aguerrida em política, mais ligada em produção. É aí que surgem as bandas Cabruêra, Rotten Flies, Dead Nomads, Projeto 50, Zefirina Bomba, Paudedáemdoido, As Parêa, entre outras.
Por fim, nesta última década, nos encontramos enquanto protagonistas de uma metamorfose que vem transformando a cena cultural da cidade, onde possibilidades e desafios são constantemente postos no caminhho dos que desejam viver, produzir e consumir arte. E isso eu detalho melhor no próximo texto.
(continua...)
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
É preciso reciclar as idéias
Discordo de algumas questões referentes à famigerada pauta sobre a democratização da comunicação. Não por divergir do eixo da idéia, mas pela falta de objetividade que o movimento propõe. O próprio conceito de comunicação é insuficiente e volúvel para definir um movimento que pretende a libertação da informação das amarras da mídia comercial, especuladora e geradora de senso comum.
Atualmente as discussões sobre a democratização da comunicação são norteadas pela idéia de ocupação da grande mídia pelas camadas populares. Não menosprezo a luta pelo controle social, entretanto percebo necessidades básicas que precisam ser atendidas para que num momento posterior possamos conquistar este ideário, que a preço de hoje está estagnado num discurso prolixo e utópico.
Não é possível imaginar a ascensão do povo ao poder (neste caso, à grande mídia), sem que antes haja uma formação qualitativa de quadros que pensem a comunicação e a mídia como ferramentas de auxílio no esclarecimento de questões que dizem respeito à qualidade de vida da população e à condição do indivíduo enquanto sujeito ativo, protagonista e determinador da sua história e realidade.
Quando falo de necessidades básicas me refiro a uma objetividade pragmática que incide na produção da informação a partir da sociedade e a difusão deste conteúdo através das novas mídias. Em linhas gerais, um contraponto ao modelo arcaico que submete a imprensa aos três principais pilares da grande mídia: a autoridade patronal, os interesses comerciais e as barganhas políticas.
A objetividade precisa nortear as ações dos movimentos pela democratização. E acredito que a mudança de termos viria a calhar: democratização da informação. Somente a partir da formação de quadros e a criação de meios de comunicação independentes, plurais e comprometidos com a difusão da informação qualitativa e propositiva é que podemos quebrar a lógica dos atuais dispositivos midiáticos, sugeridos por Foucault e José Ferreira como mecanismos de produção de subjetividade, capazes de definir os rumos da sociedade através da criação de consenso.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Depois da aula... [1]
Sem dúvida a obra documental cumpriu seu papel crítico e informativo. Mas fiquei perplexo com a apatia que pairou na Sala Aruanda ao término da exibição. Foi como se uma hora e meia de informação entrasse pelos olhos e ouvidos e saissem nos bocejos que se seguiam. Não é de se admirar que o cenário das comunicações, especialmente na Paraíba, carregue consigo marcas de uma formação medíocre, sem o compromisso que deveria ter. O Departamento de Comunicação está sufocado pelo marasmo.
O filme está disponível para download em torrent, no blog Documentários de Verdade.
Segue o trailer.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Diagnóstico da mídia paraibana - Diários Associados

DIÁRIOS ASSOCIADOS
http://www.diariosassociados.com.br/home/conteudo.php?co_pagina=44
A história do grupo está, ao mesmo tempo, interligada à da modernização da comunicação no Brasil, bem como à própria história do País, tal o envolvimento dos Diários Associados nos fatos que marcaram nossa sociedade nessas dezenas de anos.
Ousadia, modernidade e espírito nacionalista inspiraram o jornalista Assis Chateaubriand a dar origem, em 1924, aos Diários Associados, lançando veículos de comunicação Brasil afora, que são, até hoje, referência de qualidade e de compromisso com a boa informação.
São exemplos O Jornal, o primeiro veículo do Grupo; a revista de circulação nacional O Cruzeiro, até hoje um case referencial na imprensa; a rádio e a TV Tupi, a TV Cultura, a Rede Clube Brasil de Rádio, os jornais Estado de Minas (MG), Correio Braziliense (DF), O Imparcial (MA), O Norte (PB), Diário de Natal (RN), os novos jornais Aqui, AQUI-DF, Aqui Maranhão e Aqui PE, Jornal do Commercio (RJ) e Diário de Pernambuco (estes dois últimos são os mais antigos em circulação no País), a TV Brasília (DF), a TV Borborema (PB), a TV Alterosa (MG), os portais de internet UAI, CorreioWeb, DN Online, O Norte Online, Pernambuco.com, entre outros importantes veículos de comunicação de massa.
Pioneirismo é uma outra característica marcante que Chateaubriand empregou ao grupo.
Seus jornais mudaram a forma de se fazer jornalismo no Brasil, priorizando a preferência popular e a defesa dos interesses nacionais. Foram, também, os primeiros a serem impressos em off-set, e seu design gráfico e conteúdo editorial têm assegurado, até hoje, premiações nos mais diversos fóruns especializados. O compromisso com o consumidor da informação sempre foi especial, tanto que alguns jornais do grupo chegavam a ter, há algumas décadas, várias edições diárias, de modo a levar notícias atualizadas ao público; outros lançaram os primeiros anúncios classificados e anúncios publicitários, estabelecendo um novo padrão de comunicação vigente até o presente.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Diagnóstico da mídia paraibana - Sistema Arapuan

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_Arapuan_de_Comunica%C3%A7%C3%A3o
O Sistema Arapuan de Comunicação é uma rede de comunicação com sede em João Pessoa. Conta com emissoras de televisão e estações de rádio espalhadas pela Paraíba.
A rede foi fundada em 1978 com a estreia da Arapuan FM, logo após a Tambaú FM (Atual Sucesso FM) que operava na frequencia 92,9 passou a compor a rede. Em 2004 a rede passa a ser mantenedora da Fundação Virginius da Gama e Melo, dona da TV Miramar e Miramar FM. Em 2008, o sistema ganha uma concessão para televisão comercial assinado por Hélio Costa, criando assim a TV Arapuan, afiliada da RedeTV!. O Sistema Arapuan faz parte do Grupo Arapuan, que ainda conta com uma produtura de shows, a casa de eventos Forrock e o portal de notícias paraiba.com.br.
Diagnóstico da mídia paraibana - Sistema Correio

http://www.portalcorreio.com.br/tv/institucional.asp
Afiliada da Rede Record, a TV Correio leva ao telespectador uma programação versátil que atinge os mais diversos públicos, garantindo altos níveis de audiência. Recente pesquisa do IBOPE confirmou que a TV Correio detém o 1º lugar geral das 12:00h às 14:00h, horário em que a média de audiência dos programas Correio Esportes, Correio Verdade, Correio Debate, Sabor da Terra e Mulher Demais é maior que a dos seus concorrentes.
Além disso, a TV Correio também é primeiro lugar em programação local com mais de 90 horas mensais de informação em tempo real, com a maior equipe de externas e o apoio de uma moderna unidade móvel..
Com novíssimas câmeras digitais e ilhas de edição não-linear, a TV Correio também se consolida como a emissora que mais investe em tecnologia, sendo a primeira e única com transmissão via satélite na Paraíba, permitindo que seu sinal esteja disponível para todo o Estado.
Diagnóstico da mídia paraibana - Grupo Marquise

http://www.marquise.com.br/t1.aspx?id=183
Em 1974 foi fundada a Construtora Marquise, origem do Grupo Marquise. Empresa de visão, fundada na qualidade e superação das expectativas dos clientes, logo superou também as fronteiras geográficas e diversificou suas atividades. Hoje o grupo atua em 17 estados brasileiros, em 5 segmentos: Construção Civil, Ambiental, Finanças, Hotelaria e Comunicação. Esta trajetória é marcada pelo constante aprimoramento e compromisso com a qualidade em seus produtos e serviços.
A qualidade dos serviços e produtos do Grupo Marquise é o resultado de um modelo empresarial que investe constantemente no aperfeiçoamento de seus processos. Isto só é possível através de um moderno sistema de gestão pela qualidade total, acompanhado do incentivo ao desenvolvimento humano e tecnológico. O resultado são mais de 3.000 colaboradores qualificados para atender de 8,5 milhões de pessoas, proporcionando qualidade de vida com os produtos e serviços do Grupo Marquise.
Diagnóstico da mídia paraibana - Grupo São Braz
GRUPO SÃO BRAZhttp://www.saobraz.com.br/institucional/apresentacao.jsp
A São Braz foi fundada por José Carlos da Silva, em 1951, no estado da Paraíba. No decorrer de sua história, ampliou continuamente sua oferta de alimentos. Já em 1959, os consumidores encontravam no mercado uma grande variedade de produtos da marca. Na década de 60, seu setor fabril, antes instalado na cidade de Campina Grande, foi centralizado na filial de Cabedelo, atualmente uma das mais modernas unidades fabris da América Latina, em que trabalham mais de 1000 funcionários.
A São Braz representa a oitava torrefação do país, com uma produção anual de aproximadamente 200 mil sacas de café, o equivalente a 1200 toneladas/ano. Detém tecnologia própria para "blendar" o café, de acordo com o padrão de cada grão e após a torra, o que aumenta a qualidade e acentua o aroma e o sabor da bebida. Com lançamentos de produtos em intenso ritmo e em diversos segmentos do mix da indústria, a marca chega a quase todas as grandes redes de supermercados do país. A São Braz compete com gigantes multinacionais e sempre busca novos nichos com a qualidade e a reputação comprovadas por sua tradição.
O posicionamento da marca é reforçado por campanhas institucionais de peso. Como as ações com o ator Reynaldo Giannecchini; a promoção "Pippos Vitaminado e Premiado", que entregou cerca de 1000 prêmios em MP3, mochilas e relógios de pulso; e da aliança firmada com a Panasonic do Brasil, líder mundial nas áreas de desenvolvimento e fabricação de produtos eletrônicos, no tema do Flocão Novomilho que sorteou um total de 2000 aparelhos de micro-ondas Panasonic para os consumidores dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas.
A São Braz acaba de adquirir o licenciamento do desenho animado Padrinhos Mágicos, exibido no Canal Jetix, no Disney Channel e na Rede Globo, como propriedade da Nelvana e produção da Disney, para ilustrar as embalagens dos cereais matinais de marca própria Carrefour em todo o Brasil.
Empresa premiada por sua qualidade e comprometida com o social, a São Braz conquistou sua credibilidade pelos anos de dedicação à satisfação de seu consumidor, tornando-se competitiva por produzir alimentos com padrão internacional.







