sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Areia: uma casa de arte


De 14 a 18 de setembro, a apaixonante cidade de Areia abrigou uma parcela representativa da produção artística da Paraíba. Aos moldes da peculiar arquitetura colonial, a cidade se transformou num verdadeiro solar das artes paraibanas, que destinou seus cômodos à instalação da programação do 12º Festival de Artes de Areia.

Coube, portanto, ao Festival, a função de servir como janela dessa edificação por onde se observou mais de uma centena de atividades ligadas à cultura da Paraíba. Apostando numa programação que representasse a produção artística e cultural do Estado, o Festival de Artes de Areia atraiu olhares para o interior da casa, ou seja, a produção paraibana.

Durante cinco dias, Areia foi ocupada por artistas, intelectuais e profissionais do campo da cultura. Mais de 650 participantes se deslocaram de vinte e seis municípios paraibanos para aquela que se constituiu o epicentro da diversidade cultural da Paraíba. Em pouco tempo as acomodações desta grande casa estavam lotadas.

Os salões e suas portas abertas receberam debates, exposições e reflexões sobre a cultura da Paraíba. Pelos corredores ouviam-se ecos ora convergentes, ora divergentes sobre os temas debatidos no Festival. O confronto de pensamentos ratificou o interesse da Secretaria de Estado da Cultura em promover importantes debates e avançar nas diferentes esferas do campo da cultura paraibana.

Mesmo num frio de 18 graus, as cozinhas esquentaram a ânsia do povo em devorar sons e texturas apresentadas nos palcos do Festival. Os olhares do público pareciam abocanhar as melodias de Zé Ramalho, Amazan e Genival Lacerda. Era visível o deleite com que o povo saboreava as canções consagradas pelos ilustres paraibanos.

Contudo, a magia maior era percebida quando, por exemplo, Cátia de França, Escurinho, Tadeu Mathias e Quinteto da Paraíba subiam aos palcos. Para alguns a sensação era como a de experimentar um novo tempero. No início o sabor de uma nova possibilidade gerava rostos desconfiados, comentários ao pé do ouvido, certa repulsa. Foi aos poucos que o paladar – até então domesticado com temperos recorrentes e massificados – começou a identificar o novo sabor. E gostou!

Nem mesmo as senzalas desta grande casa foram deixadas para trás. A nudez dos cativos de outrora deu espaço ao nu artístico das artes plásticas contemporâneas, transformando em prazer o espaço antes ocupado pela dor. Ocupar as senzalas foi, sobretudo, um gesto de trazer à luz a realidade por vezes omitida e esquecida nas histórias oficiais.

Nos alpendres da grande casa estavam os oito homenageados. Nada era feito ou dito sem que se repetisse o nome dos baluartes da cultura da Paraíba. Foram homenageados os artistas José Enoch, Ariano Suassuna, Vânia Perazzo, Fernando Teixeira, Genival Lacerda, Major Palito e Hermano José. O Festival também prestou homenageou ao Mestre Abel Martins, que faleceu duas semanas antes do evento.

Por fim, o Festival de Artes de Areia foi mais que uma janela. Foi, na verdade, a porta aberta para o acesso à arte, tão próxima na produção, mas distante na fruição. O povo de Areia deu vida ao Festival e, certamente, sem a participação da população de nada valeria este grande casario. A casa grande foi efetivamente ocupada pelo povo e, ao que tudo indica, de agora em diante as portas e janelas permanecerão sempre abertas.

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