quarta-feira, 20 de abril de 2011

SOBRE A FALSA POLÊMICA DO ‘FORRÓ DE PLÁSTICO’

Quando o governador Ricardo Coutinho criou a Secretaria de Estado da Cultura, há quatro meses, iniciava na Paraíba a implantação de políticas culturais legadas de suas gestões enquanto prefeito de João Pessoa e, além da bagagem acumulada, trouxe também reivindicações da classe artística expressas nos “40 pontos para a cultura”.

Para organizar a pasta recém-criada, Ricardo convidou o cantor e compositor Chico César, de Catolé do Rocha, com o qual já havia trabalhado na gestão cultural da Capital. A missão do primeiro secretário da Cultura estava dada: implantar na Paraíba uma política cultural de valorização das tradições populares, o diálogo com as referências da identidade do povo, a reativação dos festivais de arte, a interação com os fóruns representativos e o apoio ao processo criativo dos artistas da terra.

Segundo o governo, as iniciativas buscam – enquanto políticas públicas – difundir e apoiar as expressões artísticas características da Paraíba que não integram o mercado e a indústria cultural, e por conta disso são raramente pautadas pelos meios de comunicação ou inseridas nas programações das rádios comerciais do Estado.

Pela proximidade do período junino Chico César foi indagado por jornalistas sobre o apoio do governo estadual aos festejos municipais e respondeu enfaticamente ao dizer que, de acordo com a política cultural do governo, os municípios serão apoiados desde que apresentem melhorias no Índice de Desenvolvimento Humano, criem seus Sistemas Municipais de Cultura e integrem em suas programações os artistas e manifestações da cultura tradicional.

Cobrar contrapartidas dos municípios demonstra a idéia do governo em evitar o apoio de forma paternalista e assistencialista, superfaturando cachês e priorizando determinadas atrações em detrimento da possibilidade de contratação de dezenas de outros artistas da Paraíba

Ainda durante a mesma entrevista o secretário ressaltou que o Estado não pretende pagar os altos cachês de bandas e grupos que integram o mercado e a indústria cultural instalada no Nordeste, que tem como carro chefe o forró eletrônico. Na visão de Chico, estas manifestações não necessitam de apoio estatal para difundir seu trabalho, já que integram 95% da programação das rádios paraibanas e têm um mercado consolidado na região.

A partir da declaração, parte da imprensa paraibana repercutiu apenas um fragmento da fala, colocando o secretário na posição de que não apoiaria tais grupos. A negligência na divulgação da fala na íntegra gerou uma falsa polêmica que durante alguns dias pautou jornais, rádios, televisões e portais, que acusaram o Secretário de discriminar determinados estilos musicais.

O fato gerou inquietação do público desse segmento musical que suscitou a possibilidade de esvaziamento dos grandes eventos juninos da Paraíba, a exemplo do “Maior São João do Mundo”, em Campina Grande. Por isso, é preciso esclarecer que a programação dos festejos juninos de Campina Grande não depende dos recursos do Governo Estadual, portanto a decisão do governo não impedirá a contratação de tais grupos. Ao contrário do que se tenta imputar, cabe ao município – e não ao Estado – arcar com as despesas na contratação de bandas e artistas.

Para esclarecer e pôr fim ao intenso debate, o secretário publicou em nota que a intenção do Governo não é menosprezar artistas e estilos consagrados pela grande mídia, mas propor a ascensão da cultura tradicional, esmagada e dilacerada por um mercado sedento pelo lucro e sem comprometimento social.

Observado esse contexto prejudicial às manifestações da cultura tradicional, coube ao Estado o papel de propor políticas públicas no sentido de valorizar a rica cultura popular paraibana enquanto referência da identidade da população, necessária para a edificação de uma sociedade rica em valores, tradições e arte.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Aquilo que é justo

Há alguns milênios Platão narrou o diálogo entre Sócrates e Protarco, e transcreveu para a história da humanidade alguns rabiscos que se por ventura fossem postos em prática, seriam capazes de modelar sociedades justas e igualitárias.

Em Fileto incidi o conceito de que são as idéias, e não os prazeres, o bem maior do homem, além do senso de justiça (“aquilo que é suficiente”) e a sabedoria. O prazer, segundo Sócrates, deve ocupar o quarto lugar na hierarquia dos bens maiores.

Mas os séculos passaram e Maquiavel apareceu para fortalecer as sociedades européias, contrastando e deixando nítidas as diferenças entre o clero, a monarquia e a plebe, em seus ensaios sobre a constituição e a manutenção do poder. Nesse caso, a justiça era a ordem do rei e a sabedoria um bem castrado pela subserviência.

E aí a contemporaneidade chega com suas revoluções e guerras mundiais, polarizando, partidarizando e readequando a sociedade mundial em um novo ciclo da humanidade. O capitalismo convenceu mais de 90% do planeta a travar uma cruzada em busca de lucro e poder, e implantou o ideário consumista, as bolsas de valores e o livre comércio.

Contúdo, há momentos em que o sistema se afoga dentro da própria ambição. O aumento tarifário atrevidamente desproporcional a média dos últimos anos, somado a exclusão proposital das vozes divergentes no processo de votação do reajuste da tarifa, foram atitudes que extrapolaram os limites tolerados por uma população até então subserviente.

O muro que abrigava de um lado o lucro inescrupuloso do oligopólio do transporte público, e do outro uma população subserviente e apática, tende a não passar de uma linha tênue nos próximos dias. Assim espero.

A luta é por direitos.
Queremos o que é justo.



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Militância cultural na Paraíba

Quem conhece a cena cultural de João Pessoa sabe que a produtividade artística sempre foi regida por contextos específicos, ora propícios a efervescência, ora fadados à estagnação. Além disso, cada período da história contemporânea artística da cidade foi marcado por representações em destaque, que posteriormente se tornariam referências daquele contexto.

Na década de 1960, o ponto forte da cultura paraibana foi o cinema novo. Os filmes Aruanda, Romeiros da Guia, Menino de Engenho, entre outras obras, representaram a produtividade cultural da Paraíba no cenário nacional. Fortalecia-se também a militância cultural, representada por figuras de diversos segmentos artísticos, a exemplo do maestro Pedro Santos e o documentarista Vladimir Carvalho, ambos à época membros do Partido Comunista Brasileiro.


Neste período a militância cultural estava transversa ao cenário político, e foi na produção artística que muita gente pôde manifestar suas opiniões e ideologias, fazendo da arte a porta de escape para a censura e a impossibilidade de expressão divergente da ordem estabelecida.

O cerco a liberdade de produção criativa decretado na década de 1970 foi refletido no fortalecimento da cultura enquanto espaço de militância pró-democracia e anti-alienação. Foi com essa proposta que nasceu o grupo Jaguaribe Carne, com a fome de externar sentimentos e experimentar possibilidades através do que denominaram “guerrilha cultural”, uma cruzada formada por artistas paraibanos e pernambucanos em prol da cultura da Paraíba e contra o analfabetismo cultural.

O grupo se tornaria referência de militância cultural em todo o Brasil, reunindo ainda hoje música, artes plásticas e literatura num projeto de mobilização artístico-popular. Desse movimento surgiram expressões artísticas como Pedro Osmar, Paulo Ró, Chico César, Escurinho, Zé Ramalho, Lenine, Elba Ramalho, o fotógrafo Gustavo Moura, e outros que também beberam da mesma fonte.

No início da década de 1980 o movimento cultural em João Pessoa estava fortalecido pela prática militante e cotidiana de quem o compunha. Entre artistas plásticos, escritores, poetas e atores, destacaram-se os músicos do Jaguaribe Carne, que propuseram a criação do Musiclube da Paraíba. O espécime de associação musical se tornaria a referência daquela década, por onde passariam artistas conhecidos da cena atual, a exemplo de Milton Dornellas, Glaucia Lima, Kennedy Costa e Adeildo Vieira, que durante uma entrevista falou sobre o Musiclube:

“O Musiclube foi muito importante para a minha formação estética e política. Este movimento ensinou que o artista deve ter consciência de que, quando está no palco, existem o público de um lado e os bastidores de outro. De um lado está a representação do mercado, que é a vinda do público para ver o seu trabalho. E, por trás, aquilo que sustenta você como estrutura. O relacionamento com essas duas situações deixa muita gente perdida, transforma muitos em marionete. Enquanto uns se perdem, outros vão, mas sem saber voltar. Para você entrar de uma maneira consistente no mercado, nas luzes do palco e nos abajures dos bastidores, tem que ter consciência do seu papel. Isso evita que a pessoa vire um bonequinho, que muitas vezes as pessoas viram” . (Entrevista ao Jornal Zona Azul, em 2005, disponível em http://zonasulnatal.blogspot.com/2005/05/entrevista-adeildo-vieira.html)

Com a reconfiguração política e social do país, na Paraíba a década de 1990 foi marcada por novos protagonistas culturais. Um novo público, para novas formas e estilos artísticos. Embora ainda com feitios advindos das décadas anteriores, a produção artística se desenlaça do aspecto “militante” e dá início a um processo de ebulição de bandas, músicos e artistas que formariam uma nova cena cultural.

Uns mais ligados em apenas tirar um som, outros buscando reaver as tradições da cultura paraibana, o certo é que foram os jovens de então os responsáveis pela nova cara da música da Paraíba, menos aguerrida em política, mais ligada em produção. É aí que surgem as bandas Cabruêra, Rotten Flies, Dead Nomads, Projeto 50, Zefirina Bomba, Paudedáemdoido, As Parêa, entre outras.

Por fim, nesta última década, nos encontramos enquanto protagonistas de uma metamorfose que vem transformando a cena cultural da cidade, onde possibilidades e desafios são constantemente postos no caminhho dos que desejam viver, produzir e consumir arte. E isso eu detalho melhor no próximo texto.

(continua...)

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

É preciso reciclar as idéias

Discordo de algumas questões referentes à famigerada pauta sobre a democratização da comunicação. Não por divergir do eixo da idéia, mas pela falta de objetividade que o movimento propõe. O próprio conceito de comunicação é insuficiente e volúvel para definir um movimento que pretende a libertação da informação das amarras da mídia comercial, especuladora e geradora de senso comum.

Atualmente as discussões sobre a democratização da comunicação são norteadas pela idéia de ocupação da grande mídia pelas camadas populares. Não menosprezo a luta pelo controle social, entretanto percebo necessidades básicas que precisam ser atendidas para que num momento posterior possamos conquistar este ideário, que a preço de hoje está estagnado num discurso prolixo e utópico.

Não é possível imaginar a ascensão do povo ao poder (neste caso, à grande mídia), sem que antes haja uma formação qualitativa de quadros que pensem a comunicação e a mídia como ferramentas de auxílio no esclarecimento de questões que dizem respeito à qualidade de vida da população e à condição do indivíduo enquanto sujeito ativo, protagonista e determinador da sua história e realidade.

Quando falo de necessidades básicas me refiro a uma objetividade pragmática que incide na produção da informação a partir da sociedade e a difusão deste conteúdo através das novas mídias. Em linhas gerais, um contraponto ao modelo arcaico que submete a imprensa aos três principais pilares da grande mídia: a autoridade patronal, os interesses comerciais e as barganhas políticas.

A objetividade precisa nortear as ações dos movimentos pela democratização. E acredito que a mudança de termos viria a calhar: democratização da informação. Somente a partir da formação de quadros e a criação de meios de comunicação independentes, plurais e comprometidos com a difusão da informação qualitativa e propositiva é que podemos quebrar a lógica dos atuais dispositivos midiáticos, sugeridos por Foucault e José Ferreira como mecanismos de produção de subjetividade, capazes de definir os rumos da sociedade através da criação de consenso.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Depois da aula... [1]

Esta noite tive a oportunidade de assistir "Cidadão Boilesen", do diretor Chaim Litewski, durante a aula de Documentário Cinematográfico. Não sabia da existência desse filme. Em linhas gerais, o doc de 1h30 detalha a macabra relação do industrial Henning Boilesen com o governo militar brasileiro. Boilesen foi o responsável por mediar as negociatas entre generais e empresários, para a criação e subsídio da Operação Bandeirante, uma ação do regime militar para "silenciar" a atividade "subversiva" da época. Desde 1994 o diretor realiza um trabalho investigativo de magnífica qualidade, que resultou num dos melhores documentários brasileiros.

Sem dúvida a obra documental cumpriu seu papel crítico e informativo. Mas fiquei perplexo com a apatia que pairou na Sala Aruanda ao término da exibição. Foi como se uma hora e meia de informação entrasse pelos olhos e ouvidos e saissem nos bocejos que se seguiam. Não é de se admirar que o cenário das comunicações, especialmente na Paraíba, carregue consigo marcas de uma formação medíocre, sem o compromisso que deveria ter. O Departamento de Comunicação está sufocado pelo marasmo.

O filme está disponível para download em torrent, no blog Documentários de Verdade.

Segue o trailer.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Diagnóstico da mídia paraibana - Diários Associados



DIÁRIOS ASSOCIADOS

http://www.diariosassociados.com.br/home/conteudo.php?co_pagina=44

Prestes a completar 85 anos em 2009, os Diários Associados se consolidaram como um dos mais importantes conglomerados de comunicação de massa do Brasil e da América Latina – são dezenas de jornais, emissoras de rádio e TV, revista, sites e portais de internet, a Fundação Assis Chateaubriand e também outras empresas.

A história do grupo está, ao mesmo tempo, interligada à da modernização da comunicação no Brasil, bem como à própria história do País, tal o envolvimento dos Diários Associados nos fatos que marcaram nossa sociedade nessas dezenas de anos.

Ousadia, modernidade e espírito nacionalista inspiraram o jornalista Assis Chateaubriand a dar origem, em 1924, aos Diários Associados, lançando veículos de comunicação Brasil afora, que são, até hoje, referência de qualidade e de compromisso com a boa informação.

São exemplos O Jornal, o primeiro veículo do Grupo; a revista de circulação nacional O Cruzeiro, até hoje um case referencial na imprensa; a rádio e a TV Tupi, a TV Cultura, a Rede Clube Brasil de Rádio, os jornais Estado de Minas (MG), Correio Braziliense (DF), O Imparcial (MA), O Norte (PB), Diário de Natal (RN), os novos jornais Aqui, AQUI-DF, Aqui Maranhão e Aqui PE, Jornal do Commercio (RJ) e Diário de Pernambuco (estes dois últimos são os mais antigos em circulação no País), a TV Brasília (DF), a TV Borborema (PB), a TV Alterosa (MG), os portais de internet UAI, CorreioWeb, DN Online, O Norte Online, Pernambuco.com, entre outros importantes veículos de comunicação de massa.

Pioneirismo é uma outra característica marcante que Chateaubriand empregou ao grupo.

Seus jornais mudaram a forma de se fazer jornalismo no Brasil, priorizando a preferência popular e a defesa dos interesses nacionais. Foram, também, os primeiros a serem impressos em off-set, e seu design gráfico e conteúdo editorial têm assegurado, até hoje, premiações nos mais diversos fóruns especializados. O compromisso com o consumidor da informação sempre foi especial, tanto que alguns jornais do grupo chegavam a ter, há algumas décadas, várias edições diárias, de modo a levar notícias atualizadas ao público; outros lançaram os primeiros anúncios classificados e anúncios publicitários, estabelecendo um novo padrão de comunicação vigente até o presente.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Diagnóstico da mídia paraibana - Sistema Arapuan




SISTEMA ARAPUAN DE COMUNICAÇÃO
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_Arapuan_de_Comunica%C3%A7%C3%A3o

O Sistema Arapuan de Comunicação é uma rede de comunicação com sede em João Pessoa. Conta com emissoras de televisão e estações de rádio espalhadas pela Paraíba.

A rede foi fundada em 1978 com a estreia da Arapuan FM, logo após a Tambaú FM (Atual Sucesso FM) que operava na frequencia 92,9 passou a compor a rede. Em 2004 a rede passa a ser mantenedora da Fundação Virginius da Gama e Melo, dona da TV Miramar e Miramar FM. Em 2008, o sistema ganha uma concessão para televisão comercial assinado por Hélio Costa, criando assim a TV Arapuan, afiliada da RedeTV!. O Sistema Arapuan faz parte do Grupo Arapuan, que ainda conta com uma produtura de shows, a casa de eventos Forrock e o portal de notícias paraiba.com.br.